Tudo o que você precisa saber sobre hepatite

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Seguindo a agenda de conscientização sobre as doenças mais comuns para a população, julho foi escolhido pelo Ministério da Saúde, em 2010, como o mês dedicado a falar sobre as hepatites virais. É um período para debater sobre os diferentes tipos dessa infecção silenciosa que afeta o fígado e que pode ser causada por diversos fatores, gerando alterações leves, moderadas ou graves ao organismo dos pacientes.

Segundo o Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais, publicado em julho de 2020, mais de 670 mil casos de hepatites foram notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificações (Sinan) entre 1999 e 2019. A Sociedade Brasileira de Infectologia estima, ainda, que mais de 1,5 milhão de pessoas têm hepatite, mas a maioria não sabe disso. Existem cinco tipos mais comuns da doença, mas a maioria dos casos no Brasil concentram-se em apenas três: hepatite C (37,6%), hepatite B (36,8%) e hepatite A (25,0%).

Fonte: Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais

  1. Hepatite A

Esse tipo tem ligação direta com as condições sanitárias do local em que vive a população, pois é transmitida pelo contato de resíduos fecais com a boca. Consumo de alimentos e de água inseguros, baixos níveis de saneamento básico e de higiene pessoal, além do contato sexual e entre pessoas da mesma casa, são fatores de risco que devem ser observados para evitar a disseminação.

É causada por um vírus que se replica no fígado e desencadeia resposta imune no organismo, que leva à inflamação do órgão. É excretado na bile e eliminado pelas fezes, o que contribui para a transmissão fecal-oral. Como é muito estável e presente em grande quantidade nas fezes, há um aumento do risco de transmissão. Em crianças, por exemplo, a eliminação viral permanece por até cinco meses após a resolução clínica da doença.

No Brasil, os casos concentram-se nas Regiões Nordeste (30,1%) e Norte (25,3%), justamente pelas questões sanitárias. Os sintomas costumam aparecer de 15 a 50 dias a após a infecção e duram cerca de dois meses, podendo causar fadiga, mal-estar, febre e dores musculares. Esses sintomas também podem ser seguidos por sinais gastrointestinais, como enjoo, vômitos, dor abdominal, constipação ou diarreia.

O diagnóstico é simples, via exame de sangue, mas ainda não há um tratamento específico para esse tipo de hepatite. É preciso consultar um médico para que ele indique o medicamento mais indicado, que não afetará o fígado do paciente e garantirá o conforto e o balanço nutricional adequado.

A boa notícia, porém, é que há uma vacina super eficaz contra a hepatite A, que já faz parte do calendário de vacinação infantil, sendo uma dose aos 15 meses de idade (a partir dos 12 meses até os cinco anos incompletos – 4 anos, 11 meses e 29 dias) ou no esquema de duas doses, com intervalo de seis meses entre elas, para pessoas acima de um ano, com algumas condições especiais que devem ser verificadas com o pediatra.

Para prevenir a hepatite A, é preciso um esforço extra para aumentar as condições de higiene e saúde da população. Além de um investimento do governo em infraestruturas básicas, as pessoas também podem realizar pequenas ações individuais, como:

  • Manter a boa higienização das mãos;
  • Lavar e cozinhar bem os alimentos antes de consumir;
  • Lavar adequadamente pratos, copos e talheres;
  • Não tomar banho próximo a valões, riachos, chafarizes, enchentes ou perto de locais com esgoto;
  • Evitar a construção de fossas perto de poços ou nascentes de rios;
  • Usar preservativos durante as relações sexuais;
  • Higienizar vibradores, plugs anais e vaginais e demais acessórios eróticos antes de usar.
  • Hepatite B

Este é um tipo de infecção sexualmente transmissível, presente no sangue e nas secreções dos pacientes. Pode sobreviver a longos períodos fora do corpo e tem maior potencial de infecção do que os vírus da hepatite C e da imunodeficiência humana (HIV) em indivíduos suscetíveis. Agride o fígado a partir de uma infecção aguda, que, na maior parte dos casos, se resolve espontaneamente até seis meses após os primeiros sintomas.

Caso permaneça por mais tempo, é considerada uma infecção crônica. O risco de agravamento varia com a idade. Crianças com até um ano têm maior chance, podendo chegar a 90% de risco. De um a cinco anos, essa porcentagem cai para 20% a 50%. Por isso, as gestantes devem realizar testes durante o pré-natal, de modo a realizar a prevenção e evitar a transmissão vertical. Já nos adultos, cerca de 20% a 30% dos infectados desenvolverão cirrose e/ou câncer de fígado.

As principais formas de transmissão são da mãe infectada para o filho, durante a gestação ou na hora do parto; relações sexuais sem preservativo com alguém infectado; compartilhamento de seringa, agulhas e cachimbo para consumo de drogas; uso de materiais de higiene pessoal de outras pessoas, como lâminas de barbear, escovas de dentes e alicates; realização de tatuagens ou piercings e procedimentos odontológicos que não sigam as regras de biossegurança; e, mais antigamente, por transfusão de sangue.

Os principais casos estão concentrados na região Sudeste (34,5%) e Sul (31,6%), sendo que a coinfecção com o HIV foi observada em 5,1% dos casos notificados. Os sintomas são silenciosos, muitas vezes detectados após décadas de contaminação. Aparecem em forma de cansaço, tontura, enjoos, vômitos, dores abdominais e febre. A presença da pele e dos olhos amarelados são visíveis em pelo menos um terço dos pacientes.

O diagnóstico é feito por exame de sangue ou por um teste rápido distribuído pelo Ministério da Saúde. O tratamento é feito com antivirais específicos, disponibilizados pelo SUS. Eles não curam a infecção pelo vírus, mas podem retardar a progressão da cirrose, reduzir a incidência de câncer de fígado e aumentar a sobrevida em longo prazo.

Mas, da mesma forma que a hepatite A, também há uma vacina extremamente eficaz e segura contra a hepatite B. Ela está presente no calendário de vacinação infantil, em três doses, mas também é oferecida a qualquer pessoa que busque uma unidade de saúde. Usar preservativos e não compartilhar objetos de uso pessoal também são medidas eficazes de prevenção.

  • Hepatite C

Esse é o tipo de hepatite mais comum no Brasil, considerada como uma epidemia mundial. A maior prevalência está entre pessoas com mais de 40 anos e a maioria desconhece o diagnóstico – sendo mais comum nas regiões Sudeste (59,3%) e Sul (27,2%). São seis genótipos conhecidos do vírus, com o genótipo 1 predominante no mundo (46% de todas as infecções), seguido pelo genótipo 3 (30% dos casos).

Da mesma forma que os outros tipos, a hepatite C também é causada por um vírus e pode se manifestar de forma aguda ou crônica, sendo esta segunda a forma mais comum. É de caráter silencioso e avança sorrateiramente no paciente, causando uma inflamação permanente no fígado do paciente.

Segundo o Departamento de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde, cerca de 60% a 85% dos casos se tornam crônicos e, em média, 20% evoluem para cirrose. Uma vez detectada a doença, o risco anual para surgimento de um carcinoma hepatocelular é de 1% a 5%. Já o risco de descompensação hepática é de 3% a 6%, podendo levar de 15% a 20% os pacientes a óbito até os 12 meses seguintes do primeiro episódio.

A transmissão se dá, principalmente, pelo contato como sangue de pessoas contaminadas; pelo compartilhamento de agulhas e outros objetos para consumo de drogas; falha de esterilização ou reutilização de equipamentos médicos, odontológicos, de manicure ou de tatuagem; e por procedimentos invasivos, como hemodiálise e cirurgia, sem os cuidados de biossegurança. A transmissão por relações sexuais sem preservativo ou de mãe para filho pode ocorrer, mas é menos comum.

A aparição de sintomas é rara e 80% dos pacientes não apresentam qualquer manifestação. Por isso, é importante realizar os exames de sangue de rotina para detecção da doença em suas fases iniciais. O tratamento é oferecido gratuitamente pelo SUS, com remédios antivirais de ação direta, que apresentam taxa de cura na faixa de 95%.

Seguir as recomendações de prevenção é importante porque, diferente dos dois tipos anteriores, a hepatite C não possui vacina. Ou seja, é preciso evitar compartilhar objetos de uso pessoal que possam ter entrado em contato com sangue, usar preservativo em qualquer relação sexual e fazer os exames pré-natal.

  • Hepatite D

Este é o tipo mais raro no país, com 0,6% dos casos relatados no Boletim Epidemiológico. É comum na região Norte (74,4%) e está associado à presença do vírus da hepatite B para causar infecção e inflamação das células do fígado. As formas de contágio são idênticas às do tipo B e não costuma apresentar sintomas nas fases iniciais, podendo gerar cansaço, tonturas, enjoos, vômitos, febre, dor abdominal, pele e olhos amarelados e variações nas cores da urina e das fases em casos crônicos.

Apesar disso, a hepatite D crônica é a forma mais grave de hepatite viral, que leva à uma rápida progressão para cirroses e aumenta os riscos de descompensação, CHC e morte. É diagnosticada a partir de exames de sangue e não tem cura, mas pode ser tratada para controle do dano hepático. Os pacientes são encaminhados para um serviço especializado e orienta-se que eles cortem o consumo de bebidas alcoólicas.

A imunização se dá a partir da vacina para a hepatite B, uma vez que os dois tipos estão ligados. Usar preservativos, evitar o compartilhamento de objetos de uso pessoal e realizar os exames pré-natal também contribuem para evitar a doença.

  • Hepatite E

É uma variante mais comum na África e na Ásia, sem prevalência significativa no Brasil. Estima-se que haja cerca de 20 milhões de casos anualmente, com 3,3 milhões sintomáticos. Da mesma forma que a hepatite A, este vírus é transmitido pela via fecal-oral, a partir do consumo de água e alimentos contaminados, em locais com infraestrutura sanitária deficiente. Também pode ser passada com a ingestão de carne mal cozida ou produtos derivados de animais infectados, transfusão de produtos sanguíneos infectados e da mãe para o bebê.

Na maioria dos casos é uma doença benigna, mas pode ser mais grave para gestantes. A hepatite E fulminante ocorre com mais frequência na gravidez, particularmente no segundo ou terceiro trimestre. Há um maior risco de insuficiência hepática aguda, perda fetal e mortalidade, sendo que de 20% a 25% das mulheres grávidas podem morrer se tiver hepatite E no terceiro trimestre.

A detecção é feita por exame de sangue, desde o início da infecção e com pico entre 30 e 40 dias, podendo persistir por até 14 anos. Casos agudos podem ser detectados com auxílio de exames de fezes.

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