Setembro Amarelo: cuidados para prevenir suicídios

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Sempre foi complexo falar sobre suicídio. O tema envolve uma série de tabus ligados a questões religiosas, morais e culturais, que impedem a detecção precoce dos sinais e, como consequência, a prevenção. Ainda há muito medo e vergonha em se falar sobre o assunto, então é preciso um esforço coletivo e constante para desmistificá-lo. Para intensificar as ações de conscientização da sociedade, setembro foi o mês escolhido.

De acordo com o Conselho Federal de Medicina (CFM), cerca de 13 mil brasileiros tiram a própria vida todos os anos. No mundo, esse número sobe para 1 milhão de pessoas. Não são apenas números, mas histórias que deixaram de ser contadas pela ausência de um tratamento devido. Até mesmo porque a maioria dos casos está relacionada à presença de transtornos mentais, como depressão, bipolaridade e abuso de substâncias.

Para ajudar na prevenção, é preciso entender como as pessoas são afetadas. O CFM define o suicídio como “um ato deliberado executado pelo próprio indivíduo, cuja intenção seja a morte, de forma consciente e intencional, mesmo que ambivalente, usando um meio que ele acredita ser letal”. Só uma pequena parcela desse comportamento suicídio vem à tona, mas 17% das pessoas no Brasil já pensaram, em algum momento, em tirar a própria vida.

Ou seja, é uma questão de saúde pública passível de ser prevenida. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), os profissionais de saúde, de todos os níveis de atenção, precisam estar aptos a reconhecerem os fatores de risco. Além disso, quem convive com alguém com transtornos mentais precisa saber identificar os sinais. E muito disso passa por um combate eficiente à desinformação.

História do setembro amarelo

O movimento mundial de conscientização contra o suicídio teve seu ponto de partida em 1994, quando um jovem de 17 anos dos Estados Unidos, chamado Mike Emme, tirou a própria vida. Era um adolescente carinhoso e com exímias habilidades mecânicas, usadas para restaurar um Mustang 68 amarelo. Mas ninguém percebeu os sinais de que ele precisava de apoio.

Durante o funeral, os amigos usaram fitas amarelas com a frase “Se precisar, peça ajuda”. A ação ganhou visibilidade e espalhou-se pelo país e pelo mundo. Em 2003, chegou à Organização Mundial de Saúde (OMS), que instituiu 10 de setembro como o Dia Mundial da Prevenção ao Suicídio – escolhendo o amarelo do Mustang de Mike como a cor oficial da campanha.

No Brasil, o setembro amarelo tem início em 2014, em um esforço conjunto do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). O objetivo é conscientizar sobre a prevenção do suicídio e dar visibilidade ao tema, que ainda é pouco debatido na sociedade.

Fatores de risco

Para prevenir os casos de suicídio é preciso identificar quais são os comportamentos de risco. Isso é importante tanto para profissionais de saúde quanto familiares poderem intervir de forma precoce e, assim, salvar vidas. De acordo com o CFM e a ABP, esses fatores se dividem em dois grupos: modificáveis e não modificáveis.

Os fatores não modificáveis são aqueles que fazem parte do histórico familiar ou de vida do paciente e, por isso, não podem ser mudados. Nesse sentido, os principais riscos são a tentativa prévia de suicídio e a presença de transtornos psiquiátricos – que aumentam de cinco a seis vezes a chance de tentar tirar a própria vida. As entidades alertam que cerca de 50% dos que se suicidaram já haviam tentado antes. Além disso, há outros fatores não modificáveis:

  • Jovens com idade entre 15 e 30 anos e idosos;
  • Homens suicidam três vezes mais que mulheres, mas elas tentam três vezes mais;
  • Conflitos em relação à identidade sexual;
  • Doenças clínicas crônicas debilitantes;
  • Imigrantes, indígenas e ser de alguns grupos étnicos aumenta o risco;
  • Perdas recentes;
  • História familiar de tentativas ou casos de suicídio;
  • Eventos adversos na infância e na adolescência, como maus tratos, abuso físico e sexual, pais divorciados, transtorno psiquiátrico familiar etc.;
  • Entre adolescentes, o suicídio de figuras proeminentes ou de indivíduos que conheçam pessoalmente.

Já os fatores modificáveis são aqueles que podem ser mudados, como é o caso de transtornos psiquiátricos. Pesquisas indicadas pelo CFM e pela ABP apontam que 96,8% das pessoas que morreram por suicídio tinham histórico de doença mental diagnosticada ou não, geralmente tratada de forma inadequada. Alguns desses fatores são:

  • Doenças psicológicas, como depressão, transtorno bipolar, abuso/dependência de substâncias, transtornos de personalidade, esquizofrenia etc.;
  • Conflitos familiares, incerteza quanto à orientação sexual e falta de apoio social;
  • Sentimentos de desesperança, desespero, desamparo e impulsividade:
  • Impulsividade, principalmente entre jovens e adolescentes. A combinação desse fator com desesperança e abuso de substâncias pode ser letal;
  • Viver sozinho, como no caso de divorciados, viúvos, pessoas que nunca se casaram ou que não têm filhos;
  • Desempregados com problemas financeiros ou trabalhadores não qualificados, com risco maior nos três primeiros meses;
  • Aposentados;
  • Moradores de rua;
  • Indivíduos com fácil acesso a meios letais.

O que fazer caso esses fatores sejam identificados?

É preciso ficar atento ao indivíduo e às posturas que ele terá nos diversos contextos sociais. Caso seja detectado algum fator de risco, é preciso encaminhar a pessoa para avaliação com um profissional da área, seja um psicólogo ou um psiquiatra.

Enquanto o primeiro atua na identificação e tratamento das questões ligadas a sentimentos e comportamentos, o segundo é quem realiza o diagnóstico das doenças psiquiátricas e pode prescrever a medicação mais adequada para o caso. É só com a atuação desses profissionais que há um correto tratamento da doença mental e um controle dos pensamentos suicidas, ajudando o paciente a ter mais qualidade de vida.

Quem precisa de apoio também pode entrar em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV), uma instituição filantrópica que presta serviço voluntário e gratuito de apoio emocional e prevenção do suicídio. O contato pode ser feito pelo telefone 188 (funcionamento por 24 horas, todos os dias da semana e sem custos), pessoalmente em um dos mais de 120 pontos de atendimento ou pelo chat no site da instituição.

Procure ajuda

Se você está com algum dos sinais indicados nesta matéria, marque uma consulta com um profissional da AssisteMed. Com uma excelente estrutura física à disposição no centro de Belo Horizonte, nossos psicólogos e psiquiatras estão prontos para te ajudar no diagnóstico correto e determinar o tratamento do caso. Entre em contato pelo telefone (31) 2342-1200 ou pelo formulário do nosso site para que possamos lhe ajudar.