Saiba tudo sobre o câncer de próstata

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Falar sobre os cuidados que os homens devem ter com a própria saúde ainda exige que muitos tabus sejam quebrados. O principal deles envolve a prevenção do câncer de próstata. Apesar de ser o tipo mais comum entre a população masculina e ser a causa de morte de uma pessoa a cada 38 minutos no Brasil, ainda é grande a resistência que existe em simplesmente falar sobre o assunto.

“As coisas que são afetadas pela doença na próstata, como a ejaculação, a função sexual, o fluxo urinário e a incontinência não são temas sobre os quais as pessoas conversam na hora do jantar ou em bares”, explica a diretora do ProstateCancer UK, AngelaCulhane, em entrevista à BBC. Por isso, criar momentos como o Novembro Azul é tão importante.

Essa é uma tentativa de trazer o assunto para as mesas de conversa e normalizar os cuidados. Além de alertar sobre a necessidade de prevenção do câncer de próstata, as ações realizadas neste mês também funcionam como conscientização sobre a necessidade de cuidar da saúde de modo geral, observando temas como transtornos mentais, doenças crônicas e até mesmo infecções sexualmente transmissivas.

Como ainda há muitas dúvidas sobre esse assunto, trouxemos respostas para as principais perguntas que chegam em nossos consultórios. Mas lembramos que a informação presente aqui é apenas um complemento, pois nada substitui uma avaliação profissional feita por um urologista.

1. Para que serve a próstata?

A próstata é uma glândula localizada embaixo da bexiga (próximo à base do pênis) e em frente ao reto. Tem o tamanho aproximado de uma bola de pingue-pongue, mas tende a aumentar com o passar da idade. Sua principal função é produzir o líquido seminal ou prostático, que se mistura com o esperma e permite a expulsão e sobrevivência dos espermatozoides durante a ejaculação e após a entrada no útero.

2. O que pode afetar a próstata?

A ONG ProstateCancer Foundation aponta três condições que podem afetar a próstata. A mais simples é a hiperplasia, causada por um aumento benigno da glândula, que pressiona a uretra e a bexiga, bloqueando o fluxo da urina. Quando há uma dor mais intensa na região, pode ser sinal de prostatite, uma infecção causada por bactérias. Já o terceiro caso é o do câncer de próstata, que se desenvolve a partir do crescimento anormal de células da glândula.

Todos possuem sintomas muito parecidos, então é preciso ficar atento ao menor sinal e procurar ajuda médica.

3. Quais são os fatores de risco?

De acordo com Instituto Nacional do Câncer, o câncer de próstata pode ser considerado como uma doença da terceira idade, pois cerca de 75% dos casos no mundo ocorrem após os 65 anos. Isso não quer dizer que ele não afete homens mais novos, mas sim que a idade é um dos principais fatores de risco que devem ser levados em consideração na hora de começar a prevenção.

Além disso, cerca de 10% dos casos tem origem hereditária. Ter um pai ou irmão diagnosticado com câncer de próstata antes dos 60 anos é sinal de atenção, que pode refletir tanto em uma predisposição genética quanto no estilo de vida de uma família. A incidência em homens negros ou descentes também é mais alta e, com isso, a prevenção deve começar antes. O excesso de gordura corporal também aumenta o risco de câncer de próstata avançado e deve ser observado com cuidado.

Um último ponto envolve a exposição a certos elementos. Aminas aromáticas (presentes na indústria química, mecânica e na transformação do alumínio), arsênio (agrotóxicos e conservante de madeira), derivados de petróleo, gases dos motores de escape de veículos, hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPA), fuligens e dioxinas são substâncias ligadas diretamente à incidência do câncer de próstata.

Quando começar a prevenção?

Homens que não pertencem aos grupos de risco listados anteriormente devem começar a fazer os exames preventivos a partir dos 50 anos. Como o risco aumenta para pessoas negras ou descendentes de negros, a prevenção para elas deve começar aos 45 anos. Mas caso haja histórico de familiares portadores de câncer de próstata diagnosticados antes dos 65 anos, o acompanhamento médico e laboratorial deve começar aos 40.

O resultado do PSA também influencia na rotina de prevenção. Este é um antígeno específico liberado pela próstata e encontrado principalmente no sêmen, mas com uma pequena quantidade que também é enviada para o sangue. Quando há algum problema com a próstata, normalmente os níveis do PSA também são afetados.

Quais são os principais sintomas?

Quando ainda está nos estágios iniciais, o câncer de próstata não apresenta muitos sintomas. Se eles aparecem, acabam sendo semelhantes ao crescimento benigno da próstata e podem passar despercebidos. Apenas na fase mais avançada da doença que os sinais são mais perceptivos. Porém, é preciso ficar atento aos seguintes pontos:

  • Necessidade de urinar muitas vezes ao dia, especialmente durante a noite;
  • Dificuldade de começar ou parar de urinar no meio do processo;
  • Fluxo de urina fraco, em gotas ou em jatos sucessivos;
  • Dor ou queimação ao urinar;
  • Dificuldade de ter e manter uma ereção;
  • Diminuição da quantidade de sêmen;
  • Dor ao ejacular;
  • Sangue na urina ou no sêmen;
  • Pressão ou dor no reto;
  • Dor ou rigidez na parte inferior das costas, quadris, pélvis ou coxas.

Como são exames preventivos?

Existem dois tipos de exames para realizar a prevenção do câncer de próstata. O mais conhecido – e o mais cercado de tabus – éo exame clínico, também conhecido como toque retal. Ele é realizado por um urologista e consiste em um toque no reto feito com o dedo protegido por uma luva lubrificada. É rápido e indolor, ajudando a identificar se há nódulos ou tecidos endurecidos na próstata.

O outro exame é o de dosagem do PSA, feito a partir de um exame de sangue do paciente. Os níveis do antígeno na maioria dos homens costumam ser inferiores a 4 ng/mL, mas tumores malignos mais agressivos podem mascarar este resultado.

Mas é preciso destacar que nenhum desses exames apresenta resultados definitivos para o paciente. Eles são apenas indicativos de que algo está errado com a glândula e, para confirmar a existência de um câncer de próstata, é preciso realizar uma série de exames complementares.

Como é feito o diagnóstico?

Caso sejam encontradas anormalidades nos exames preventivos, o paciente precisa investigar mais a fundo os sintomas. A biópsia para análise do tecido da próstata é a única forma segura de diagnosticar a doença, com a retirada de uma amostra do tecido afetado para análise em laboratório. Existem exames hoje, inclusive, que detectam a provável taxa de crescimento do tumor e a tendência à disseminação, contribuindo na definição do tratamento.

Alguns médicos também recomendam a realização de uma ressonância magnética para complementar o diagnóstico. O Inca não recomenda que eles sejam parte da rotina de prevenção, mas em casos específicos eles contribuem para identificar a doença e verificar se ela está afetando outras partes do corpo do paciente.

Qual o tratamento?

A indicação do melhor tratamento depende muito do tamanho e da classificação do tumor e da idade do paciente. Se a doença está localizada – ou seja, não se espalhou para outros órgãos –, costumam ser indicadas sessões de radioterapia, cirurgias ou até mesmo uma simples observação mais vigilante em casos específicos.

Se houve um avanço local da doença, o mais indicado costuma ser uma combinação de radioterapia com tratamentos hormonais. Caso o tumor tenha se espalhado para outras áreas do corpo, costuma-se indicar apenas a terapia hormonal.

Mas essa é uma decisão que passa pelo médico oncologista e pelo próprio paciente, que discutirão os riscos e benefícios de cada tratamento antes de tomar uma decisão. Além disso, se descoberto nos estágios iniciais, a chance de cura é muito alta.

O tratamento vai afetar a vida sexual?

Como em qualquer procedimento médico, há riscos de efeitos colaterais. Em alguns tratamentos, pode haver lesões nos nervos que rodeiam a próstata e controlam a ereção, levando a uma impotência. De acordo com o Instituto Oncoguia, cerca de metade dos homens que possuíam um bom desempenho sexual antes da doença voltarão à mesma função. Outros poderão ter efeitos moderados a graves, mas a maioria terá apenas uma pequena perda – que acaba retornando após alguns meses do fim do tratamento.

Além disso, um a cada cinco homens costuma apresentar incontinência urinária como consequência do tratamento. Pacientes mais jovens apresentam uma melhoria mais rápida, porém os tratamentos para esses dois efeitos colaterais já são bem avançados na Medicina.

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