Proteja-se contra o HIV e a Aids

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Nos últimos anos, o Ministério da Saúde tem registrado quedas consecutivas nos números de casos de Aids no Brasil. Entre 2012 e 2019, a taxa de detecção caiu de 21,9/100 mil habitantes para 17,8/100 mil. Comportamento semelhante ocorreu com a mortalidade da doença, que saiu de 12.667 óbitos em 2015 para 10.565 em 2019 – queda de 17,1% em cinco anos. Apesar disso, o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (Unaids) apontou que os casos de casos de HIV no Brasil aumentaram em 21% entre 2010 e 2018, indo na contramão do resto do mundo.

Isso mostra que o tratamento universal oferecido pelo SUS para a doença no Brasil tem surtido efeito, mas, ao mesmo tempo, que as pessoas têm se descuidado e aumentado o contágio do vírus. O Ministério da Saúde estima que cerca de 920 mil homens e mulheres vivam com HIV no país, sendo que 89% já foram diagnosticados, 77% fazem tratamento com antirretroviral e 94% dos que estão em tratamento possuem carga viral indetectável, ou seja, não transmitem o vírus por via sexual. O maior número de casos, porém, ainda está entre os jovens de 25 a 39 anos, de ambos os sexos.

Isso mostra que ainda há muitas pessoas convivendo com o vírus e outras que podem ser contaminadas pelo simples fato de não seguirem as medidas de prevenção recomendadas. Por isso, aproveitamos que 1º de dezembro foi estabelecido pela ONU como o Dia Mundial da Luta Contra a Aids para falar um pouco mais sobre o vírus e a doença.

HIV x Aids

Embora as pessoas ainda façam muita confusão com os termos, há uma grande diferença entre os dois. O HIV é um retrovírus que ataca o sistema imunológico dos seres humanos e, por essa característica, é impossível ao corpo combatê-lo de forma apropriada. Acredita-se que ele tem origem na África, no consumo da carne de macacos contaminados pelo vírus da imunodeficiência símia (SIV) ainda no século XIX. Foram décadas se espalhando lentamente até o boom, na década de 1970.

Ainda não há uma cura efetiva e, se não tratado, o HIV pode levar a pessoa a desenvolver a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Aids). Ou seja, ter o vírus não é a mesma coisa que ter a doença – ela é um efeito colateral causado pelo HIV. A evolução dos tratamentos possibilitou que a maioria das pessoas que convive com o vírus não desenvolva Aids, o que fez com que ela saísse da lista das principais doenças do século XXI mesmo após ter sido destaque da mesma lista, no final do século XX.

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Como o vírus é transmitido

O HIV só consegue passar de uma pessoa para outra a partir de secreções como sangue, esperma, secreção vaginal e leite materno. Esse líquido contaminado precisa entrar no organismo de alguém para haver a contaminação, sendo que as formas mais comuns são as relações sexuais, compartilhamento de seringas, acidentes com objetos cortantes infectados, transfusão de sangue contaminado e na transmissão vertical da mãe para o feto, seja na gestação, no trabalho de parto ou na amamentação.

Ou seja, não é possível ser contaminado pelo HIV nas seguintes ocasiões:

  • Apertos de mão e abraços;
  • Beijo no rosto ou na boca;
  • Compartilhamento de toalhas, sabonetes, lençóis, copos e talheres;
  • Dividir o mesmo espaço, como assentos de banco, banheiro e piscinas;
  • Relações sexuais protegidas por camisinha;
  • Masturbação a dois;
  • Contato com suor e saliva;
  • Doação de sangue;
  • Pelo ar.

Prevenção

Como a contaminação ocorre pelo contato direto com secreções, é preciso evitar que isso ocorra. Utilizar preservativos em todas as relações sexuais evita a maioria dos casos, mas também é preciso utilizar seringas e agulhas individuais e descartáveis, utilizar luvas ao manipular feridas e líquidos e, para mães com HIV, realizar o tratamento com antirretrovirais durante a gestação.

Outra forma de prevenção que vem ganhando força nos últimos anos é a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP). Ela consiste em comprimidos diários que devem ser tomados para evitar que o HIV infecte o organismo, mesmo antes da pessoa ter contato com vírus. Ele combina dois medicamentos e só tem efeito se tomado diariamente, para que haja concentração suficiente na corrente sanguínea para bloquear o vírus.

O tratamento, porém, não é recomendado para todos. É preciso consultar um profissional de saúde para verificar se é possível utilizar a PrEP, fazer exames regulares e buscar a medicação gratuita a cada três meses. Além disso, ela é recomendada para pessoas que tenham mais chance de entrar em contato com o vírus, como homens que fazem sexo com outros homens, pessoas trans, trabalhadores do sexo e se tem relações sexuais com alguém que seja HIV positivo.

Tratamento

Ainda não há uma cura para o HIV, mas medicamentos antirretrovirais vêm sendo usados desde a década de 1980 para inibir a multiplicação do vírus e evitar o enfraquecimento do sistema imunológico. A evolução desses remédios controlou o desenvolvimento da Aids e demais complicações do HIV, transformando uma infecção potencialmente fatal em uma condição crônica controlável.

No Brasil, esses medicamentos são distribuídos gratuitamente pelo SUS desde 1996. Em 2013, todas as pessoas vivendo com HIV, independentemente da carga viral, passaram a também ter direito ao tratamento. Se feito corretamente, seguindo as recomendações médicas, esse processo reduz a carga viral a ponto de ela se tornar indetectável. Ou seja, os testes laboratoriais mais comuns não detectam o vírus na corrente sanguínea e ele deixa de ser transmitido pela via sexual.

Converse sobre o assunto

Se você quer saber mais informações sobre o HIV e a Aids, consulte o site da Unaids. Por lá há muitos conteúdos de qualidade sobre o assunto, inclusive com uma série em vídeo sobre o que fazer caso você seja detectado como positivo. Afinal, conhecimento ainda é a melhor forma de se lidar com o vírus.