Posso parar com o antidepressivo quando quiser?

Posso parar com o antidepressivo quando quiser?
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O Brasil é o país da América Latina que mais sofre com doenças mentais. Estudos feitos pela Organização Mundial de Saúde (OMS) indicam que 5,8% dos brasileiros sofrem de depressão e estima-se que 20% da população teve, tem ou terá a doença. Além disso, 19,4 milhões de pessoas sofrem de ansiedade – o que deixa o Brasil no topo do ranking de países mais ansiosos do mundo. Com isso, o consumo de remédios antidepressivos também é alto, sendo preciso prestar atenção às consequências desse consumo.

A OMS explica que a depressão “é resultado de uma complexa interação de fatores sociais, psicológicos e biológicos”. Ela pode levar a mais estresse e disfunções, piorando a situação de vida das pessoas. A boa notícia é que há tratamento até mesmo para os casos mais graves. Tratamentos psicológicos – como terapia cognitivo-comportamental e psicoterapia interpessoal – podem ser utilizados, mas em algumas situações é preciso usar medicações para minimizar os sintomas.

Recomendados apenas por psiquiatras, os antidepressivos ajudam a aliviar a depressão e a ansiedade, considerados como um marco no tratamento psiquiátrico. Fazem parte desse grupo remédios como fluoxetina (Prozac e Daforin), paroxetina (Aropax) e sertralina (Zoloft), entre outros. Os resultados do tratamento costumam levar até seis semanas para aparecer e o tratamento pode durar de seis meses ao resto da vida – sempre com recomendação médica.

Por ser um tratamento delicado e com consequências sérias para o corpo e a mente, o acompanhamento com um profissional é indispensável. Isso envolve, inclusive, a decisão por parar de utilizar o medicamento. O paciente não pode considerar sozinho que já está bem o suficiente e interromper o tratamento. Isso deve ser feito no momento certo, com calma e de forma orientada para evitar os efeitos colaterais.

Síndrome de abstinência

O principal problema em parar abruptamente de utilizar o antidepressivo sem recomendação médica é a grande possibilidade de o paciente sofrer de abstinência. A suspensão da droga desencadeia uma série de sintomas psicológicos e orgânicos, que afetam ainda mais a saúde da pessoa.

E o surgimento da síndrome de abstinência é rápido. Entre 24 horas e 72 horas da interrupção do tratamento – quando os inibidores da recaptação da serotonina são descontinuados – já é possível detectar os sintomas. Segundo o blog do Drauzio Varella, os mais comuns são:

1. Neurológicos

  • Tonturas e vertigens;
  • Falta de coordenação motora;
  • Tremores;
  • Alteração da sensibilidade da pele;
  • Dores de cabeça.

2. Psiquiátricos

  • Insônia;
  • Variações constantes no humor;
  • Choros sem motivo;
  • Ansiedade.

3. Somáticos

  • Fadiga;
  • Calafrios;
  • Dores musculares;
  • Congestão nasal.

4. Gastrointestinais

  • Náuseas
  • Vômitos
  • Mudanças do hábito intestinal

O tratamento para a abstinência envolve retomar imediatamente o uso do medicamento. Os resultados costumam aparecer logo nas primeiras 24 horas, trazendo alívio para o paciente. Ainda não há muitos estudos sobre como deve ser a retirada segura de antidepressivos, mas uma pesquisa japonesa, feita em 2010, e uma holandesa, de 2018,  parecem apontar alguns caminhos.

De acordo com o estudo feito no Japão, 78% dos pacientes que tentaram parar com o uso de paroxetina tiveram sintomas de abstinência, mas apenas 6% apresentaram os mesmos sinais quando houve a redução em um período de nove meses a quatro anos. Na Holanda, chegaram à mesma conclusão com quem utilizava paroxetina ou venlafaxina: cerca de 70% dos pacientes apresentaram abstinência quando houve uma interrupção imediata e a taxa foi reduzida quando o “desmame” foi mais gradual.

Em resumo

O uso de antidepressivos não costuma ser para o resto da vida, mas a decisão por interromper o tratamento cabe apenas ao médico. A depressão e a ansiedade são doenças como qualquer outra e, dessa forma, precisam de cuidados específicos. E para que o tratamento seja bem sucedido, principalmente em casos médios e graves, é preciso aliar a medicação à psicoterapia.

“Depois de um ano de estabilidade, se a pessoa está bem, às vezes se faz uma tentativa de retirada. Nunca é 100% garantido que os sintomas não vão voltar. Todo mundo pode ter episódios de depressão, principalmente quem já teve. Se voltarem os sintomas, tem que ser reavaliada a possibilidade de se reiniciar a medicação”, explica a psiquiatra Mirela Dal Ri, em entrevista para o Jornal NH.

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