Fevereiro Roxo: como lidar com doenças sem cura?

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Alzheimer, lúpus e fibromialgia são o foco do mês para conscientizar as pessoas sobre as dificuldades e formas de conviver com as doenças

Apesar de o Outubro Rosa e o Novembro Azul já serem bem conhecidos, há todo um espectro de cores seguido ao longo do ano para conscientizar sobre diferentes questões relacionadas à saúde. Em fevereiro, o roxo vem nos lembrar dos cuidados contra três doenças que ainda não têm cura e afetam diretamente a qualidade de vida: Alzheimer, lúpus e fibromialgia.

“Se não houver cura, que ao menos haja conforto”. Sob esse mote, as campanhas realizadas este mês mostram a importância de um diagnóstico precoce e como é possível viver com as enfermidades mantendo o máximo de conforto. Isso vale, inclusive, para quem tem contato diário com os pacientes. É preciso entender quais as características e limitações das doenças, de modo a criar um ambiente cada vez mais saudável e adaptado às necessidades da pessoa. Pensando nisso, fizemos um resumo das características de cada uma delas.

Alzheimer

Descoberto em 1906 graças ao aumento da expectativa de vida da população, o Alzheimer ainda não tem origem conhecida, embora os cientistas acreditem que 10% dos casos sejam determinados pela genética e a maioria comprovada ocorra após os 60 anos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 35,6 milhões de pessoas são afetadas pela doença em todo o mundo, podendo esse número dobrar até 2030. Só no Brasil, a estimativa é que 1,2 milhão sofram com o Alzheimer.

A enfermidade afeta o sistema cognitivo e a memória, tendo uma evolução lenta e gradual que, aos poucos, destrói as funções cerebrais. Segundo o Ministério da Saúde, o Alzheimer se instala quando o sistema nervoso central para de processar algumas proteínas corretamente, podendo levar a um comprometimento das ações funcionais. A sobrevida média do paciente oscila de oito a dez anos após o diagnóstico. Por ser um quadro incurável e progressivo, é preciso ficar atento aos primeiros sinais para um diagnóstico precoce. Problemas de linguagem, esquecimento de situações cotidianas recentes, confusões com horários e desorientação em lugares conhecidos são alguns dos sintomas que podem acender o alerta em quem convive com pessoas de meia-idade. O tratamento pode ser feito inteiramente pelo SUS, inclusive com a entrega da medicação recomendada.

Os sintomas estão ligados aos quatro estágios da doença. Na fase inicial, o paciente apresenta falhas na memória e na percepção de tempo e espaço. Na intermediária, há uma maior agitação, insônia e dificuldade para realizar tarefas básicas. Quando avança para a fase grave, a pessoa pode começar a sofrer de incontinência urinária e ter dificuldades para se locomover e se alimentar. Nos casos terminais, infecções são mais comuns, acompanhadas de dores frequentes e mutismo.

Como a causa é desconhecida, a prevenção envolve manter hábitos de vida saudáveis e que devem ser seguidos por toda a vida. Exercitar o cérebro também é importante para protegê-lo contra o distúrbio, sendo os jogos de memória, de lógica e caça-palavras bons inícios.

Lúpus

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é considerado uma doença inflamatória autoimune, na qual o sistema imunológico ataca os órgãos e tecidos saudáveis do corpo por engano, como se eles fossem invasores. Por isso, é muito comum que afete a pele, as articulações, os rins e até mesmo o cérebro. Casos mais graves, inclusive, podem levar o paciente à morte.

A Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) informa que ainda não se sabe como o lúpus se origina, mas fatores genéticos, hormonais e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento. A doença ganhou mais destaque na mídia quando as cantoras Selena Gomez, que precisou fazer um transplante de rim pela doença, e Lady Gaga, que diz sofrer com dores constantes, vieram a público revelar que têm a doença.

As mulheres, inclusive, são as mais afetadas pela doença. Para cada nove portadoras, geralmente entre 20 e 45 anos, há apenas um homem. Estima-se que cerca de 65 mil pessoas convivam com a doença no Brasil, mas apenas 20% dos portadores possuem lúpus grave. A boa notícia é que, apesar de não ter cura, mais de 90% dos pacientes que seguem as orientações médicas corretamente respondem bem ao tratamento e quase não sofrem com os sintomas.

Estes, inclusive, variam bastante de pessoa para pessoa. É comum, porém, que eles se manifestem como cansaço, febre baixa, emagrecimento, perda de apetite, feridas, rigidez muscular, dores nas articulações e, principalmente, sensibilidade à luz solar – que pode desencadear os casos. Em situações mais graves pode afetar os sistemas nefrológico e neurológico, podendo comprometer os rins e aumentar os riscos de AVC e de problemas psicológicos.

Fibromialgia

Esta também é uma doença autoimune, mas que costuma atingir as articulações de pessoas entre 30 e 60 anos, principalmente. É caracterizada pelo aparecimento de dores musculares crônicas em todo o corpo, seguidas por fadiga corporal e alterações no sono, na memória e no humor. Além disso, há uma grande sensibilidade ao toque e à compreensão da própria musculatura.

Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, a fibromialgia é um problema comum, acometendo 5% de quem frequenta um consultório de Clínica Médica e 10% a 15% de quem consulta um reumatologista. A Medicina, porém, não sabe como a doença surge ou afeta o corpo, mas há fatores genéticos que precisam ser observados para um diagnóstico precoce. Eventos graves na vida de uma pessoa – como traumas físicos, psicológicos e infecções graves – também podem desencadear a fibromialgia.

Por ser uma doença que não causa lesão ou inflamação nos tecidos, não há como realizar exames no dia a dia clínico para detectá-la. Cabe ao profissional fazer uma análise completa do histórico do paciente para identificar se há uma origem nas dores ou se são causadas pela fibromialgia. Mais recentemente, alguns métodos de visualização do cérebro ajudam a identificar essa condição.

É preciso ficar atento porque em 50% dos casos, a fibromialgia vem acompanhada da depressão. Juntas, elas “atuam como um círculo vicioso, piorando o quadro. O paciente deprimido também apresenta distúrbio do sono e fadiga, sintomas comuns na fibromialgia”, explica a SBR na cartilha sobre o assunto. Ou seja, não se questiona mais a dor de pacientes depressivos – como se fazia antes –, e as duas enfermidades são tratadas em conjunto.

A fibromialgia também não possui cura, mas o tratamento contribui para diminuir as dores. Geralmente são recomendados antidepressivos e neuromoduladores, que aumentam a quantidade de neurotransmissores que amenizam a dor. Mas os medicamentos só podem ser indicados pelo médico que analisou o caso, sendo específicos para cada paciente.

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