Doenças relacionadas à falta de dinheiro

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Não é só a falta de atividades físicas, uma alimentação desbalanceada e a exposição a fatores de risco que prejudicam a saúde. Por mais que digam que dinheiro não traz felicidade, ele tem um impacto para a manutenção da saúde mental e física das pessoas. Em momentos de crise econômica como a vivida pelo Brasil, isso fica ainda mais evidente.

Especialistas acreditam que a taxa de desemprego no Brasil poderá atingir a marca de 16,9% no primeiro semestre de 2021, com o agravamento da crise provocada pela Covid-19, as incertezas sobre o processo de vacinação, o fim do auxílio-emergencial e os atrasos constantes nas reformas econômicas. E tudo isso gera reflexos para a saúde dos indivíduos, mostrados em várias pesquisas realizadas nos últimos anos.

Em 2016, o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CDL) realizou uma pesquisa com consumidores que possuíam dívidas em atraso há mais de 90 dias. “O resultado nos mostrou que a consequência do endividamento não é só para o bolso, mas também para a saúde dessas pessoas”, comentou a economista do SPC, Marcela Kawauti, em entrevista ao Estado de Minas.

De acordo com o estudo, dois em cada três entrevistados (65,6%) disseram se sentir deprimidos, tristes ou desanimados por não conseguirem quitar a dívida. Diante disso, 16,8% recorreu a vícios como comida, cigarro ou álcool. Autoestima mais baixa (57,8%), insegurança em não conseguir pagar (69,9%), angústia (61,8%), ansiedade (59,8%) e estresse (57,6%) foram outros pontos levantados.

Além disso, uma pesquisa do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP) mostrou que 80% das pessoas que acumulam débitos sofrem de depressão. O Estado de Minas levantou que queixas econômicas estava presente em 80% das queixas dos pacientes de muitos consultórios de psiquiatria em Belo Horizonte. Entre os distúrbios e doenças relatadas estão ansiedade, desânimo, síndrome do pânico, insônia e depressão.

Mas não são apenas as doenças mentais que surgem nesse cenário. Em uma pesquisa realizada por cientistas sul-africanos, verificou-se que a angústia gerada por questões financeiras podia aumentar em até 13 vezes o risco de infarto. Foram levados em consideração fatores como ansiedade, estresse, aflição e depressão. “Poucos médicos perguntam sobre estresse, depressão ou ansiedade durante uma consulta, e isso deveria ser uma prática tão rotineira quanto questionamentos sobre tabagismo”, disse Denishan Govender, professor da Universidade de Witwatersrand e um dos responsáveis pelo estudo.

O que pode levar ao descontrole financeiro?

Manter um bom planejamento financeiro é fundamental para o controle do dinheiro e o planejamento futuro, mas nem sempre isso é possível. No livro Dinheiro é um santo remédio, os consultores financeiros André Massaro e Conrado Navarro listam seis fatores que podem desencadear o que chamam de “doenças financeiras”. Deixando de lado eventos imprevisíveis e incontroláveis, eles estabelecem que as causas são:

  1. Desequilíbrio: é preciso viver conforme as suas possibilidades, independente de quanto se ganhe. Saber equilibrar o quanto se gasta com o quanto se ganha é a chave, pois o desequilíbrio pode gerar estresse, com reflexos no funcionamento do corpo, além de problemas familiares e profissionais.
  2. Imediatismo: “viver o aqui e o agora é uma ideia tentadora, até romântica (…) Pessoas que não planejam e que não conseguem pensar no longo prazo acabam gastando demais, adquirindo coisas sem ter os meios para pagar e não fazendo os investimentos profissionais (que geralmente são de prazo maior) para ter uma boa renda”, dizem os autores.
  3. Apatia: não se preocupar com as finanças e com o futuro também é um problema, pois em casos extremos pode levar a uma desorganização financeira – que, por sua vez, pode se desdobrar em um desequilíbrio ou perda de patrimônio.
  4. Renda insuficiente ou inexistente: “a renda é o oxigênio das finanças”, explicam os autores. Mas a falta de renda pode ser resultado de questões que estão fora do controle das pessoas, como as constantes crises econômicas vividas pelo país. E não ter como se manter é uma preocupação extra, que pode gerar uma série de complicações e doenças para o corpo.
  5. Excesso de autoconfiança: dar passos maiores que as pernas e comprar coisas que não se pode pagar em longo prazo é um claro sinal de autoconfiança, sinal também do imediatismo. Com isso surgem as preocupações sobre como quitar as dívidas crescentes, o que gera reflexos severos para a saúde.
  6. Pressão social: vivemos em uma sociedade do consumo e somos pressionados a comprar coisas para nos sentirmos parte dessa sociedade. É mais um caso em que aflora o imediatismo para atender aos desejos e, com isso, todo o controle financeiro pode ser comprometido pelo impulso de ter algo que não necessariamente é importante para aquele momento.

Problemas mais comuns

Como mostramos, o descontrole financeiro pode levar a uma série de distúrbios mentais, que geram reflexos na parte física. Os principais problemas decorrentes da falta de dinheiro são:

  • Baixa autoestima: quando a pessoa não sente o suficiente para conseguir resolver os problemas financeiros, aumenta a dificuldade de concentração e cai a produtividade no trabalho, pois a cabeça está tomada por outras preocupações.
  • Insônia: na pesquisa citada acima do SPC/CDL, 40% dos entrevistados citaram a insônia como um sinal das dívidas. Isso deixa a pessoa cansada, indisposta, abatida e irritável no dia seguinte, mas também pode agravar doenças cardiovasculares e respiratórias e prejudicar a recuperação das células do corpo.
  • Irritabilidade: falar sobre problemas financeiros ainda é um tabu e muitos preferem esconder os problemas e acabam descontando nas pessoas ao redor. De acordo com o SPC, o tema é motivo de brigas para quatro entre cada dez pessoas casadas. E isso tem reflexo também nas outras relações e prejudica o bom funcionamento do corpo.
  • Distúrbios alimentares: perda ou ganho de peso, problemas digestivos, dores no estômago ou abdominais são alguns reflexos do corpo de que algo não está certo com o lado psicológico.
  • Depressão: a falta de dinheiro priva as pessoas de muitas coisas e o endividamento só piora esse cenário. Com o aumento das cobranças o estresse aumenta e, se não cuidado, pode evoluir. “Muitas vezes, a pessoa não percebe isso e só nota quando começa a se isolar ou a não querer mais sair de casa. Cada organismo reage de um jeito diferente, mas uma pessoa endividada tem, sim, mais chances de ter depressão”, explica a psicóloga Denilse Cunha no blog da BcCredi.
  • Ansiedade: esse já é um problema comum no mundo atual. Segundo a Organização Mundial de Saúde, 9,3% dos brasileiros possuem algum transtorno de ansiedade. Em um cenário de incertezas, como o de conviver com dívidas financeiras, isso pode ser descontado em outros vícios – como comida, tabaco e álcool – ou até mesmo evoluir para um transtorno generalizado ou para depressão.

Como resolver o problema?

Não há muita escapatória. Em momentos de crise financeira, é preciso aprender a cuidar melhor do dinheiro e equilibrar os gastos com os ganhos. A saúde está muito atrelada à vida financeira, então é preciso ficar atento a esses pontos e repensar o planejamento familiar até que as coisas retornem para uma normalidade.

Check-up da saúde

Se você está com algum sinal de desgaste devido à falta de dinheiro, é preciso consultar um profissional para avaliar seu caso. E que tal marcar uma consulta na AssisteMed e conhecer nossa sede, no coração de Belo Horizonte? Ligue para (31) 2342-1200 ou acesse nosso site para agendar um horário. Nossos médicos estão prontos para fazer uma avaliação completa e ver se está tudo certo com sua saúde – e, principalmente, com preços acessíveis, que cabem no seu bolso.