Como lidar com a ansiedade em crianças?

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O ser humano é preparado para reagir diante de situações de estresse ou perigo. O sistema autômato libera substâncias químicas, que geram sensações físicas e mentais capazes de acelerar os batimentos cardíacos, mudar o direcionamento do fluxo sanguíneo, ligar o estado de alerta e até mesmo aumentar o desejo de agredir. Todas essas mudanças do corpo estão na base dos transtornos de ansiedade, que podem afetar a todos, em qualquer fase da vida – inclusive na infância.

A cartilha Ansiedade em crianças, resultado de uma pesquisa financiada pela Fundação Oswaldo Cruz, indica que esse tipo de transtorno é o mais comum em crianças. Há uma tendência, inclusive, de que ele venha acompanhado por outros – seja da esfera da ansiedade ou não. “Alguns estudos mostram que crianças com transtornos de ansiedade têm mais dificuldade para fazer amizades do que aquelas que não têm este tipo de problema. A ansiedade em nível patológico tem um impacto grande na vida social e escolar das crianças, resultando em consequências futuras sérias”, indica a pesquisa.

Não há um único motivo que pode desencadear os transtornos. Eles podem ser constitucionais (genéticos, de temperamento) ou sócio-familiares (a partir de padrões desadequados de funcionamento familiar). Filhos de pais ansiosos, crianças de temperamento inibido/tímido e acontecimentos adversos na infância têm mais chance de ocasionar o aparecimento de uma doença mental.

Além desses fatores, a modernidade gerou mais um agravante: o tempo de exposição a telas. Diferente das gerações anteriores, as crianças nascidas na década de 2010 chegam a um mundo cada vez mais conectado, em que a tecnologia comanda o ritmo das pessoas. Dois psicólogos da Universidade Estadual da Geórgia, nos Estados Unidos, conduziram uma pesquisa que associa esse uso de telas à ansiedade. Em crianças de até quatro anos, as mais expostas tinham o dobro de chances de perder a paciência e 46% apresentou menor probabilidade de se acalmar em situações de empolgação ou estresse.

Em um artigo publicado no site da Abril, o psiquiatra e diretor do Núcleo Paulista de Especialidades Médicas (Nupem), Rodrigo de Almeida Ramos, explica que a ansiedade em crianças pode se manifestar no retraimento social e no receio de responder a estímulos ambientais. “Tem como característica principal a preocupação excessiva e a expectativa apreensiva, proporcionando uma aceleração inadequada. Além disso, pode gerar um prejuízo nas capacidades cognitivas”, diz.

As dificuldades em atividades que exigem atenção e memória são um sintoma, mas também é preciso ficar atento à quando a criança expressa muitas ideias negativas sobre o futuro e se esquiva de situações comuns. Como sintomas físicos podem surgir taquicardia, falta de ar, suor em excesso, diarreia e até mesmo dores no corpo. E os sinais são ainda mais claros quando a criança perde o contato social, diminui o convívio com os amigos de forma voluntária, revela-se muito tensa a estímulos e passa a ter mau rendimento escolar.

Além de buscar um especialista, o psiquiatra recomenda algumas formas de ajudar a criança a não desenvolver transtornos de ansiedade:

  • Encoraje conversas abertas sobre sentimentos;
  • Ajude a resolver os problemas da criança quando ela estiver preocupada;
  • Auxilie a construir relações de amizades positivas;
  • Estimule os cuidados com a saúde física, mostrando benefícios de dormir bem, da alimentação adequada e dos exercícios físicos;
  • Ajude a criança a focar no presente, deixando o futuro em segundo plano;
  • Elogie, motive e apoie para criar uma boa autoestima;
  • Estimule a autonomia e a capacidade de agir segundo suas crenças e intuições.

Ansiedade “saudável”

Há uma distinção entre a ansiedade normal e a patológica. Como explicamos no início deste post, o processo evolucionário preparou o ser humano para enfrentar perigos. A ansiedade nada mais é do que uma forma de proteção contra um estímulo ameaçador, antecipando o perigo. “No entanto, quando deixa de ser adaptativa, podemos ter que passar a falar em sintomas e/ou perturbações de ansiedade”, explicam as pesquisadoras Margarida Crujo e Cristina Marques no artigo As perturbações emocionais – ansiedade e depressão na criança e no adolescente.

Isso significa que um bebê sentir medo diante do escuro ou de barulhos que desconhece, é normal. Crianças em idade pré-escolar podem se sentir ansiosas em relação à rejeição, a criaturas imaginárias e a animais. Amizades e saúde física podem ser gatilhos para uma ansiedade normal durante a idade escolar. Para adolescentes, essas preocupações podem ser temas mais abstratos, como a morte, a religião, questões sociais e a própria sexualidade.

Quem pode determinar se o comportamento é normal ou patológico é apenas um profissional, que realizará as avaliações necessárias para detectar se os sintomas são transitórios ou permanentes. O tratamento pode ser feito com o uso de medicamentos apropriados, aliados a um acompanhamento psicoterápico, de preferência a terapia cognitivo comportamental.

Ansiedade x tédio

Uma confusão comum entre os pais é entre o sentimento de tédio e os casos de ansiedade. Em entrevista para o site Bebê, a neuropsicóloga especializada em atendimento infantil e diretora do Autonomia Instituto, Bárbara Calmetto, explica que uma criança entediada é aquela cansada da repetição do dia a dia e, por isso, não encontra motivação para fazer as atividades. “Eu não tenho mais nada para fazer” e “Já brinquei de tudo, não sei o que fazer agora” são frases comuns nesses casos.

Mudar a rotina e propor novas atividades é uma forma de verificar se a criança se sente estimulada ou não. E esse momento de tédio pode ser benéfico para observar o mundo ao redor e ficar mais atento às sensações do corpo e à criatividade. “Tivemos uma desaceleração da rotina, mas aumento também da ansiedade dos próprios pais, que depositam nos filhos que eles não podem estar sem fazer nada, porque significa que a criança não está aprendendo, evoluindo. Mas não é bem assim!”, diz Bárbara.

Avaliação com especialista

Se você acha que sua criança está com algum sinal de ansiedade, marque uma consulta com um pediatra da AssisteMed. Com uma excelente estrutura física à disposição no centro de Belo Horizonte, nossos profissionais estão prontos para te ajudar no diagnóstico correto e determinar o tratamento do caso. Entre em contato pelo telefone (31) 2342-1200 ou pelo formulário do nosso site para que possamos conversar.