Como identificar e tratar o diabetes?

+ + + + +

O corpo humano é uma máquina complexa, que precisa de várias engrenagens para funcionar. Colocá-las em atividade, porém, exige a produção de energia. E a principal forma de obtê-la é pela alimentação balanceada e pela ingestão correta de carboidratos – entre os quais estão os açúcares. Mas é preciso ficar atento. Apesar de ser um nutriente essencial, quando encontrado em excesso no organismo pode gerar complicações, como o diabetes.

A principal responsável por isso é a glicose, um açúcar simples pertencente ao grupo dos monossacarídeos. É obtida nas refeições e usada pelo organismo para realizar a respiração celular, fornecendo a energia necessária para esse processo. É por isso, por exemplo, que os níveis de glicose sobem após a alimentação e, graças ao consumo corporal, normalizam-se após algum tempo.

Mas essa redução só é possível graças à ação da insulina, um hormônio produzido no pâncreas que garante a captação e o armazenamento da glicose pelas células na forma de glicogênio. Se o nível do açúcar no sangue sobe, as células beta do pâncreas produzem a insulina e, de acordo com as necessidades do corpo, utiliza a glicose como energia ou armazena como gordura. Caso a pessoa tenha dificuldades para utilizar a insulina ou para produzi-la, não ocorre a queda dos níveis de glicose no sangue, grande indicativo da presença do diabetes – que afeta pelo menos 12 milhões de brasileiros.

Tipos de diabetes

A forma como o corpo lida com a insulina determina o tipo de diabetes. No diabetes tipo 1 – que afeta 5% a 10% de todos os pacientes, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes –, o sistema imunológico ataca de forma equivocada as células beta e, com isso, pouca ou nenhuma insulina é liberada para o corpo. Embora ocorra em qualquer idade, é mais comum em crianças, adolescentes e jovens adultos. O tratamento exige injeções diárias de insulina para manter os índices corporais dentro dos padrões, além de remédios, planejamento alimentar e atividades físicas constantes.

Já o diabetes tipo 2 é uma enfermidade crônica que afeta cerca de 90% das pessoas que têm a doença, principalmente em adultos. Nela, o organismo não consegue usar de forma adequada a insulina ou não a produz em quantidade suficiente para controlar a taxa de glicose no sangue. De acordo com a gravidade, pode ser controlada com atividade física e reorganização alimentar, mas em alguns casos é necessário o uso de insulina e outros medicamentos.

Outro tipo comum é o diabetes gestacional, que afeta 2% a 4% de todas as gestantes. Em situações rotineiras, as mudanças hormonais provocadas pela gravidez afetam a ação da insulina no corpo e o pâncreas passa a aumentar a produção para compensar a perda. Quando isso não ocorre, há um grande risco de desenvolvimento da doença.

Fatores de risco

Ainda não há um consenso sobre o que causa o diabetes tipo 1, mas os cientistas acreditam que há um importante fator genético envolvido, além da possibilidade do envolvimento de fatores ambientais, como a ação de vírus. Já para o diabetes mais comum, o do tipo 2, há riscos mais claros que podem levar à doença, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes. · Obesidade ou sobrepeso;

  • Sedentarismo;
  • Idade acima de 45 anos;
  • Histórico familiar de diabetes tipo 2;
  • Pré-diabetes;
  • Hipertensão;
  • Consumo elevado de álcool;
  • Baixos níveis de colesterol HDL;
  • Triglicerídeos elevados;
  • Ter outra condição de saúde associada ao diabetes, como doença renal crônica;
  • Síndrome de ovários policísticos;
  • Diagnóstico de distúrbios psiquiátricos, como esquizofrenia, depressão e transtorno bipolar;
  • Apneia do sono;
  • Diabetes gestacional prévia.

No caso do diabetes gestacional, também há alguns fatores de risco que devem ser levados em consideração além dos já listados.

  • Idade materna avançada;
  • Ganho de peso excessivo na gestação;
  • História prévia de bebês acima de 4 kg ou de diabetes gestacional;
  • História de diabetes gestacional na mãe da gestante;
  • Hipertensão arterial na gravidez;
  • Gestação múltipla.

Sintomas

As principais marcas do diabetes são a vontade frequente de urinar e o emagrecimento, além de fome e sede em excesso. Isso ocorre pelo excesso de glicose no sangue e o mau abastecimento das células com a energia necessária para o bom funcionamento. Além disso, os diferentes tipos de diabetes apresentam sintomas distintos:

Tipo 1

  • Fraqueza e fadiga;
  • Nervosismo e mudanças de humor;
  • Náuseas;
  • Vômitos.

Tipo 2

  • Infecções frequentes;
  • Feridas que demoram a cicatrizar;
  • Formigamento nos pés e furúnculos;
  • Alterações visuais.

Se o paciente não faz o acompanhamento adequado com um profissional, diversas complicações podem surgir. Doenças renais, problemas circulatórios nos membros inferiores e ressecamento da pele dos pés são os mais comuns. Casos graves podem provocar falhas nos rins – que podem levar a sessões de hemodiálise e até mesmo transplantes –, perda da visão, feridas nos membros inferiores, necrose e gangrena.

Diagnóstico e tratamento

Para identificar a doença, geralmente são usados três exames. Na glicemia em jejum, é medido o nível de açúcar no sangue naquele momento, que deve permanecer entre 70 e 99 miligramas de glicose por decilitro de sangue (mg/dL). Entre 100 e 125 mg/dL é considerado um resultado anormal e deve ser repetido em outra ocasião. Já resultados acima de 140 mg/dL são suspeitas de diabetes, sendo necessário uma avaliação médica mais detalhada.

A hemoglobina glicada é o exame que avalia a fração da hemoglobina que se liga à glicose. Se as taxas de glicose estiverem altas, as de hemoglobina glicada também estarão. Entre 4,5% e 5,7% é considerado um valor normal. Entre 5,8% e 6,4% é preciso investigar a pré-diabetes e acima de 6,5% é um forte indicador da doença.

O último exame é a curva glicêmica, que mede a velocidade com que o corpo absorve a glicose após a ingestão. Os valores de referência são 100 mg/dL em jejum e 140 mg/dL após 2 horas. Se a curva glicêmica permanecer acima de 200 mg/dL após a ingestão de 75g de glicose, há suspeita de diabetes.

Diagnosticada a doença, o tratamento deve ser acompanhado por um endocrinologista, para controlar a glicose presente no sangue e evitar picos e quedas ao longo do dia. Como é uma doença sem cura, é preciso prevenir e controlar de forma adequada e só um profissional poderá indicar como fazer isso. É papel do médico:

  • Realizar a orientação alimentar adequada;
  • Instruir sobre como usar a insulina;
  • Explicar o funcionamento dos aparelhos de medição da glicose para acompanhamento diário;
  • Fornecer orientações sobre as atividades físicas mais indicadas;
  • Orientar sobre como proceder em casos de hipoglicemia (abaixo dos padrões) e hiperglicemia (acima dos padrões).

Consultas na AssisteMed

Se você está com algum sintoma ou precisa fazer um controle do diabetes, marque uma consulta na AssisteMed. Localizada no centro de Belo Horizonte, a clínica possui uma estrutura perfeita para suas necessidades, com profissionais qualificados para fazer um diagnóstico mais apurado do seu caso e preços acessíveis. Entre em contato pelo telefone (31) 2342-1200 ou pelo formulário do nosso site para que possamos conversar.